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Belo Horizonte, MG - 1966

Vive e trabalha em Brasília, DF

Nascida em 1966, em Belo Horizonte, Marcela Gontijo foi ainda criança para Brasília, onde se graduou em Artes Plásticas pela UnB. Seu trabalho transita entre pintura, fotografia, instalação e performance.

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Suas pinturas dialogam com o espaço urbano através de fragmentos fotográficos e da experimentação da colagem. Na busca por imagens, objetos, lugares e materiais, a artista desenvolve processos que instauram uma nova geometria.

 

O espaço funciona como uma grade, uma estrutura rizomática, onde as linhas não têm começo nem fim, e cada ponto pode ser conectado com qualquer outro. Linhas de um desenho que ultrapassa o limite da pintura para ocupar o espaço.

obras

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I CHING

  

A série I CHING de Marcela Gontijo é inspirada em um dos maiores legados do povo chinês, o I Ching. Escrito por volta de 1150-249 a.C, o I Ching considera que tudo na natureza está em constante mudança. "I" tem seu ignificado associado a "mutação", "movimento", e "Ching" refere-se a "livro clássico", ou seja, I Ching pode ser entendido como "livro das mutações". Trata-se basicamente de como os chineses compreendiam e eram capazes de explicar os acontecimentos do dia a dia. O trabalho tem como base a organização linear, matemática e espiritual do I Ching, o hexagrama. A combinação das linhas geradas pelo jogo dos números e do acaso, é reorganizada pela artista de forma a criar uma trama de cores em movimento, aqui entendido como mutação, que estabelece a ordem do universo.

NEW TERRITORIES

  

“A obra de Marcela Gontijo não só tem a cidade como tema, mas é atravessada por ela. Seu trabalho destaca e explora a velocidade, a transitoriedade e a diversidade que fazem parte de uma grande metrópole. Essas obras foram produzidas enquanto morou em Hong Kong, uma cidade cosmopolita que nas décadas recentes foi tomada por arranha-céus, empresas multinacionais, grandes escritórios e modernização da sua área metropolitana. (...)

O conjunto de colagens, recortes, fitas adesivas e tinta evidencia a complexa trama de uma cidade. Estão lá a diversidade de distúrbios, línguas, aproximações, estranhamentos, atritos, culturas, sons que geram embates e diferenças entre eles, e é exatamente por esse motivo que a cidade se torna ativa e vibrante. (...)

Nessa série de obras, as imagens que se revelam são leituras e circunstâncias de uma velocidade frenética do tempo e da ação do homem. Diante dessas obras, conseguimos fabricar uma pausa, um intervalo, e observar e especular atentamente sobre os diversos signos que nos confrontam. Estão lá o bombardeamento constante das mídias, a compulsão, as benesses do progresso, mas também o aceleramento desenfreado das cidades que pode acarretar em diferenças sociais e econômicas irreversíveis. (...)

Concluo chamando a atenção para uma característica que integra ainda mais a obra de Gontijo ao comportamento da cidade: ela é instável, expansiva, nos leva a pensar a sua continuidade plástica para além dos limites da moldura, pois convoca a nossa imaginação a perceber que a obra está “se fazendo” a todo o tempo.” FELIPE SCOVINO