

ArPa 2026
estande A3
27 - 31 de maio 2026
São Paulo, Brasil
A Galeria Movimento participa da quinta edição da ArPa com o projeto solo da artista Viviane Teixeira.
A tradição ocidental costuma colocar a utopia e o paraíso em tempos inacessíveis: ou em um passado mítico de perfeição original ou em um futuro inatingível. Viviane Teixeira rompe com essa limitação melancólica e transforma o Éden em uma estrutura narrativa que exige o cultivo do presente.
O conceito de "inédito viável" em Paulo Freire representa aquilo que ainda não existe, mas é possível e desejável ser concretizado através da ação crítica e coletiva, superando as "situações-limite" da realidade, sendo um sonho utópico que se torna um projeto de transformação baseado na esperança, práxis e consciência, e não em um otimismo ingênuo. Na obra de Viviane, o inédito viável é apresentado no gesto de plantar flores e árvores com tinta num jardim de tela em branco.
É sob essa ótica que devemos refletir: o Jardim do Éden, antes de tudo, é um jardim. É preciso plantar, regar, nutrir, cuidar para florescer. Esta mudança de perspectiva é essencial para tornar a utopia uma forma de resistência. Nesse jardim paradisíaco, encontramos espécies que desafiam as leis da botânica e da física, com flores e plantas que transitam entre o fantástico e o natural. A artista nos transporta para um mundo de novas possibilidades. Diferente da arte botânica tradicional, que busca a representação fiel e científica da planta, a artista cria plantas, frutos e cores que (ainda) não existem, com raízes que flutuam buscando onde se fixar, instigando a imaginação a pensar além do conhecido e nos fazendo compreender que a Terra nos habita tanto quanto nós a habitamos.
Na análise de Anna Bella Geiger sobre a obra de Viviane é destacado esse romantismo ligado à natureza. Geiger menciona as raízes flutuantes, empuxos verticais, pétalas e densidade expressionista, com “cores que pretendem evocar mais os sentimentos do que descrever a natureza.”
Por meio de espessas camadas de tinta a óleo trabalhadas de forma quase escultórica, sua técnica dá origem a superfícies densas, em que matéria e gesto se misturam e criam uma estrutura narrativa. As obras atuam como um local de regeneração, num instante em que luz, matéria, volubilidade, fantasia, flora e esperança se equilibram. “Como se ela abandonasse o mundo mais imediato à sua volta e construísse uma ponte para esse outro mundo.” – descreve Anna Bella Geiger.
Além de pintar cartas de amor à natureza, Viviane cria um paraíso em construção. Buscando por perspectivas planetárias mais-que-humanas, mergulhamos em um território novo – porém familiar – onde somos convidados a ter esperança e projetar futuros possíveis em meio à uma flora utópica, mas não inocente.




