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Maringá, PR - 1981

Vive e trabalha em Rio de Janeiro, RJ

Em sua pesquisa, Marcelo Monteiro aborda as relações de poder no ambiente fabril, lugar onde foi operário antes de dedicar-se exclusivamente às artes plásticas. Já participou de exposições coletivas e individuais em importantes instituições do país. A mais recente delas, "Sobre Prumos?", ocorreu no Paço Imperial na cidade do Rio de Janeiro em 2023, com curadoria de Fernando Cocchiarale.

Em 2023/2024, participou também da exposição coletiva "A quarta geração construtiva" na FGV Arte, com curadoria de Paulo Herkenhoff. Com licenciatura em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM/PR), atuou entre 2018 e 2022 como professor auxiliar nos cursos de História e Teoria da Arte na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, ministrados por Anna Bella Geiger e Fernando Cocchiarale, respectivamente.

obras

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SÉRIE: SOB PRESSÃO

  

Em Darcy Ribeiro, a formação e construção do Brasil enquanto um Estado-Nação, parte do desejo e necessidade colonial de uma unificação fundada na aculturação, em grande parte forçada, das culturas aqui presentes, sejam elas originárias, sejam importadas por demanda escravagista ou de mão-de-obra barata, em prol do bem comum e do fortalecimento do Estado, cuja soberania se devia defender. Um dos métodos de sobrevivência das singularidades periféricas e excluídas é a manutenção de sua devoção ancestral, em especial àquela de matriz afro-ameríndia, neste caso, ilustrada por sua falange sincrética de berço carioca - a Umbanda.

A partir desses elementos, Bruno Miguel contorna e subverte os projetos de exclusão do Brasil oficial em nome de uma encantaria originalmente brasileira. Através da intervenção em tapeçarias de facção e motivos europeus (Gobeleins e Aubussons), o artista celebra a sofisticação do saber popular como um meio fundamental para a luta contra o racismo estrutural, o colonialismo e os projetos de branqueamento físico, espiritual, filosófico e artístico de parte da população através da sobreposição entre dois tempos - aquele gasto e surrado e outro de cores exuberantes e pertinentes à luz tropical.

SÉRIE: SOB TENSÃO

"O vazio que nos consome" surge da reflexão sobre a tridimensionalização da pintura, em aproximação com seu campo expandido, e do aprofundamento da natureza morta enquanto gênero tradicional deste suporte. Para tanto, Bruno utiliza embalagens vazias, coletadas durante um longo período e limpas após o consumo dos produtos que continham. A partir de então, traça um percurso investigativo sobre a sociedade de consumo global, onde qualquer ação deve adequar-se aos parâmetros estabelecidos pelo mercado. Dessa forma, evidencia o processo de criação do desejo e o acesso aos produtos e imagens globais - garantidas por sua fetichização.

SÉRIE: CECI N'EST PAS 

  

Dialogando com a história da arte, esta série de Bruno se apropria da afirmação do artista belga René Magritte na icônica obra “A traição da imagem”, onde lemos "Ceci n'est pas un pipe” (Isto não é um cachimbo). Da mesma forma que Magritte, Bruno Miguel busca metáforas presentes na representação realista de objetos comuns. As pinturas cobertas por uma reprodução hiper-realista de um plástico bolha, feito de resina de poliéster, foram compradas em leilões, repetindo procedimentos de apropriação comuns na arte contemporânea. Nestas obras Bruno foge das certezas afirmando a dúvida. O que seria exatamente esta obra? Não é uma pintura, não é uma escultura, não é plástico bolha, não é uma obra contemporânea... Além destas questões, podemos problematizar a discussão da autoria, da imagem e de caminhos de sedução no marketing, onde o mistério gera o desejo, estratégias comuns na sociedade de consumo.

exposições

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